{"id":264,"date":"2017-06-02T17:47:04","date_gmt":"2017-06-02T21:47:04","guid":{"rendered":"http:\/\/ddsolucoesti.com.br\/site\/?p=264"},"modified":"2017-06-02T17:47:04","modified_gmt":"2017-06-02T21:47:04","slug":"o-que-e-lideranca-fazer-diversidade-funcionar","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ddsolucoesti.com.br\/site\/o-que-e-lideranca-fazer-diversidade-funcionar\/","title":{"rendered":"O que \u00e9 lideran\u00e7a? Fazer a diversidade funcionar"},"content":{"rendered":"<p>Compreender <strong>o que \u00e9 lideran\u00e7a<\/strong> envolve principalmente compreender o que lideran\u00e7a n\u00e3o \u00e9. Quer ser um p\u00e9ssimo ou uma p\u00e9ssima l\u00edder? Desrespeite e desvalorize a diversidade.\u00a0Desconsidere o quanto ela \u00e9 uma necessidade. Subestime as contribui\u00e7\u00f5es que pessoas de diferentes g\u00eaneros, etnias e ra\u00e7as e viv\u00eancias \u2013 o que inclui diferentes orienta\u00e7\u00f5es sexuais e identidades de g\u00eanero. Afinal, quem lidera lidera\u00a0pessoas, assim, no plural. Por isso\u00a0vamos analisar por que a diversidade de um time \u00e9 basilar, inclusive, para as finan\u00e7as da sua empresa.<span id=\"more-14964\"><\/span><\/p>\n<p><b><\/b>Para quem, dia ap\u00f3s dia, se pergunta\u00a0como motivar uma equipe, esta \u00e9 uma boa chance de ouvir o que Heidi Halvorson e David Rock, especialistas\u00a0do<a href=\"https:\/\/neuroleadership.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Neuroleadership Institute<\/a>,\u00a0querem que l\u00edderes saibam\u00a0sobre a import\u00e2ncia de montar equipes diversas. Tudo com base em estudos.<\/p>\n<h3><b>Equipes diversas s\u00e3o melhores em qu\u00ea?<\/b><\/h3>\n<p>Quando a d\u00favida surge, \u00e9 hora de buscar respostas junto daqueles que vivem para isso: pesquisadores. E foi o que fizeram os especialistas Halvorson e Rock. No artigo<a href=\"https:\/\/hbr.org\/2016\/11\/why-diverse-teams-are-smarter\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u201cWhy Diverse Teams Are Smarter\u201d<\/a>, publicado na <i>Harvard Business Review <\/i>em novembro de 2016, eles citam dois estudos sobre o impacto da diversidade \u2013 \u00e9 isso mesmo \u2013 sobre as finan\u00e7as das empresas.<\/p>\n<p>Em 2015, pesquisadores da <a href=\"http:\/\/www.mckinsey.com\/business-functions\/organization\/our-insights\/why-diversity-matters\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">McKinsey<\/a> avaliaram 366 companhias p\u00fablicas de v\u00e1rios pa\u00edses, e o que constataram foi o seguinte. Aquelas que apresentavam a maior diversidade \u00e9tnica e racial em posi\u00e7\u00f5es de gest\u00e3o eram 35% mais propensas a obter retorno financeiro acima da m\u00e9dia de seu ramo. E aquelas que contavam com a maior diversidade de g\u00eanero eram 15% mais propensas a conquistar essa mesma vantagem.<\/p>\n<p>Outra <a href=\"https:\/\/www.credit-suisse.com\/us\/en\/about-us\/media\/news\/articles\/media-releases\/2012\/07\/en\/42035.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">an\u00e1lise<\/a>\u00a0com 2400 empresas de todo o globo, conduzida pelo Credit Suisse, n\u00e3o trouxe resultados contr\u00e1rios aos de cima. Organiza\u00e7\u00f5es com pelo menos uma mulher no conselho diretor apresentam maior retorno sobre o patrim\u00f4nio l\u00edquido, e seu lucro l\u00edquido cresce mais do que aquelas em que n\u00e3o h\u00e1 mulher alguma na diretoria.<\/p>\n<p>\u201cEquipes n\u00e3o homog\u00eaneas s\u00e3o mais espertas\u201d, afirmam os pesquisadores, citando outro estudo recente, que afirma: trabalhar com pessoas diferentes de voc\u00ea desafia suas formas tradicionais de pensar e refina o desempenho do seu c\u00e9rebro. Mais especificamente, dizem, equipes diversas:<\/p>\n<p><strong>1)<\/strong> focam-se mais em fatos;<br \/>\n<strong>2)<\/strong> processam dados com mais cautela, e<br \/>\n<strong>3)<\/strong> t\u00eam maior habilidade de inovar.<\/p>\n<h3><b>Foco nos fatos<\/b><\/h3>\n<p>Pessoas com origens, viv\u00eancias e repert\u00f3rios culturais diversos trabalhando em equipe podem levar a um pensamento de grupo mais refinado e preciso. \u00c9 o que aponta um <a href=\"http:\/\/www.apa.org\/releases\/0406_JPSP_Sommer.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">estudo<\/a>\u00a0publicado no <i>Journal of Personality and Social Psychology.<\/i>\u00a0Cientistas distribu\u00edram cerca de 200 pessoas em j\u00faris de seis pessoas. Alguns eram completamente compostos por pessoas brancas, enquanto em outros havia quatro brancos e dois negros.\u00a0A tarefa era a seguinte: assistir ao v\u00eddeo do julgamento de um r\u00e9u negro com v\u00edtimas brancas e decidir se o r\u00e9u era culpado ou inocente.<\/p>\n<p>O que se observou foi que os j\u00faris com negros e brancos levantaram mais fatos relacionados ao caso do que os j\u00faris homog\u00eaneos, e realizaram menos erros factuais ao discutir as evid\u00eancias. E quando ocorriam erros, eram corrigidos com mais frequ\u00eancia durante a delibera\u00e7\u00e3o. O motivo? Para os pesquisadores, os jurados brancos em grupos mistos buscariam evid\u00eancias com mais precis\u00e3o, em vez de se guiarem por pensamentos f\u00e1ceis, baseados em estere\u00f3tipos e preconceitos.<\/p>\n<p>Outros estudos trouxeram resultados semelhantes. Numa s\u00e9rie de experimentos conduzidos no Texas e em Cingapura, publicados no jornal cient\u00edfico <a href=\"http:\/\/www.pnas.org\/content\/111\/52\/18524.abstract\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">PNAS<\/a>, pesquisadores organizaram os participantes ora em equipes etnicamente diversificadas ora em grupos homog\u00eaneos. Todos apresentavam boa instru\u00e7\u00e3o em finan\u00e7as e sua miss\u00e3o era cotar algumas a\u00e7\u00f5es de mercado.\u00a0Resultado: aqueles que participavam de equipes mistas eram 58% mais propensos a fazer a cota\u00e7\u00e3o correta.<\/p>\n<p>Para Halvorson e Rock, \u201cquando est\u00e3o em equipes diversificadas, as pessoas s\u00e3o mais suscet\u00edveis a reexaminar os fatos, a permanecer objetivas. S\u00e3o mais propensas a avaliar criticamente suas a\u00e7\u00f5es\u201d. \u00c9 o que cientistas descrevem como \u201cmanter seus recursos cognitivos afiados e vigilantes\u201d \u2013 o que parece tamb\u00e9m ser uma boa forma de descrever o que \u00e9 lideran\u00e7a.<\/p>\n<h3><b>Processamento cuidadoso de dados<\/b><\/h3>\n<p>\u201cA diversidade pode mudar a maneira como equipes inteiras digerem informa\u00e7\u00f5es e tomam melhores decis\u00f5es\u201d, insistem Halvorson e Rock. Em um estudo publicado no<a href=\"http:\/\/psp.sagepub.com\/content\/35\/3\/336.abstract\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u201cPersonality and Social Psychology Bulletin\u201d<\/a>, Katherine Phillips da Northwestern University e sua equipe distribu\u00edram membros de fraternidades e irmandades universit\u00e1rias em quartetos, propondo que lessem as entrevistas de um detetive\u00a0que investigava\u00a0um assassinato.<\/p>\n<p>Tr\u00eas pessoas de cada grupo sempre vinham da mesma irmandade ou fraternidade, enquanto a quarta poderia ser do mesmo grupo ou de outro aleat\u00f3rio. Ent\u00e3o, os tr\u00eas veteranos de cada grupo se reuniam para determinar quem seria o suspeito mais prov\u00e1vel do assassinato. Cinco minutos depois, o quarto integrante se juntava \u00e0 delibera\u00e7\u00e3o e expressava sua suspeita.<\/p>\n<p>Verificou-se que, embora os grupos com o quarto integrante de outras irmandades e fraternidades se sentissem menos confiantes sobre suas decis\u00f5es, acertavam mais vezes o nome do assassino do que os grupos com todos j\u00e1 conhecidos entre si.<\/p>\n<p>Para os cientistas do experimento, o que acontece \u00e9: grupos diversos podem superar os homog\u00eaneos na tomada de decis\u00e3o porque processam as informa\u00e7\u00f5es com mais cuidado. \u201cConsiderar a perspectiva de um estranho pode parecer contraintuitivo, mas a recompensa pode ser enorme\u201d, Halvorson e Rock concluem.<\/p>\n<p>Ao romper com a homogeneidade no local de trabalho, voc\u00ea mostra que est\u00e1 entendendo o que \u00e9 lideran\u00e7a. Pelo simples fato de que est\u00e1 permitindo que seus colaboradores se tornem mais conscientes de seus pr\u00f3prios vieses, isto \u00e9, de suas formas enraizadas de pensamento que, de alguma forma, podem ceg\u00e1-las e impedi-las de encontrar informa\u00e7\u00f5es-chave. O efeito disso, sabemos, \u00e9 a maior probabilidade de falharem ao tomarem decis\u00f5es.<\/p>\n<h3><b>Cen\u00e1rio prop\u00edcio para inova\u00e7\u00f5es<\/b><\/h3>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 careca de saber que, para se manter competitiva, uma empresa deve inovar. O que voc\u00ea talvez n\u00e3o imaginava \u00e9 que uma das melhores estrat\u00e9gias de aumentar a capacidade de transforma\u00e7\u00e3o da sua marca e dos seus produtos envolve a contrata\u00e7\u00e3o de mais mulheres e de pessoas de culturas diversas.<\/p>\n<p>O embasamento dessa informa\u00e7\u00e3o \u00e9 o <a href=\"http:\/\/www.tandfonline.com\/doi\/abs\/10.5172\/impp.2013.15.2.149\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">estudo<\/a> publicado em \u201cInnovation: Management, Policy &amp; Practice\u201d. Nele os autores analisaram n\u00edveis de diversidade de g\u00eanero em equipes de Pesquisa e Desenvolvimento (R&amp;D) de 4.277 empresas da Espanha. Adotando modelos estat\u00edsticos, eles descobriram que as empresas com mais mulheres eram mais propensas a introduzir inova\u00e7\u00f5es radicais no mercado no espa\u00e7o de apenas dois anos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em outro <a href=\"http:\/\/www.tandfonline.com\/doi\/abs\/10.1111\/ecge.12016\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">estudo<\/a>, publicado na revista <i>Economic Geography<\/i>, os pesquisadores conclu\u00edram que o aumento da diversidade cultural \u00e9 um propulsor da inova\u00e7\u00e3o. Eles reuniram dados sobre 7.615 empresas que participaram do London Annual Business Survey, um question\u00e1rio realizado com os executivos da capital do Reino Unido, sobre o desempenho de suas empresas. Os resultados revelaram que as empresas dirigidas por equipes culturalmente diversas eram mais propensas a desenvolver novos produtos do que aquelas com lideran\u00e7a homog\u00eanea.<\/p>\n<p>\u201cEmbora voc\u00ea possa se sentir mais \u00e0 vontade trabalhando com pessoas que compartilham sua experi\u00eancia, n\u00e3o se deixe enganar pelo seu conforto\u201d, recomendam e Halvorson e Rock, que tamb\u00e9m publicaram o artigo <a href=\"https:\/\/hbr.org\/2016\/09\/diverse-teams-feel-less-comfortable-and-thats-why-they-perform-better\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u201cDiverse Teams Feel Less Comfortable \u2013 and That\u2019s Why They Perform Better\u201d<\/a>. Nele, enumeram outros estudos que s\u00f3 endossam a diversidade como uma necessidade. Confira:<\/p>\n<h3><b>Estudos n\u00e3o faltam:\u00a0<\/b><b>Diversidade \u00e9 uma necessidade<\/b><\/h3>\n<p>Uma <a href=\"http:\/\/asr.sagepub.com\/content\/74\/2\/208.short\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">an\u00e1lise<\/a> de 2009 com 506 empresas revelou que aquelas com maior diversidade racial e de g\u00eanero que a m\u00e9dia alcan\u00e7am maior receita de vendas, mais clientes e lucros superiores. Outra <a href=\"http:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S2352250X16300744\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">pesquisa<\/a>, esta de 2016 e mais ampla, com mais de 20 mil organiza\u00e7\u00f5es em 91 pa\u00edses, descobriu que aquela com mais mulheres em cargos executivos eram mais lucrativas. Em 2011, um <a href=\"http:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1111\/j.1540-5885.2011.00851.x\/full\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">estudo<\/a> com equipes de gestores demonstrou que aquelas com um leque mais variado de bagagens de educa\u00e7\u00e3o e repert\u00f3rio profissional criavam produtos mais inovadores.<\/p>\n<p>Em suma, como eles descrevem, contratar pessoas que n\u00e3o enxergam nem falam nem pensam como voc\u00ea pode evitar as \u201carmadilhas dispendiosas da conformidade que desencorajam o pensamento inovador\u201d. Mais uma vez nos voltamos \u00e0 primeira quest\u00e3o: O que \u00e9 lideran\u00e7a? Pistas n\u00e3o faltam.<\/p>\n<h3>Rompendo a\u00a0homogeneidade<\/h3>\n<p>Antes de finalizar, duas palavras merecem nossa aten\u00e7\u00e3o, por terem \u00edntima rela\u00e7\u00e3o com o problema da falta de diversidade. Ambas foram finalistas a \u201cPalavra do Ano de 2016\u201d do Oxford Dictionary. S\u00e3o elas: <em>Glass Cliff<\/em> (penhasco de vidro) e <em>Woke<\/em> (do verbo \u201cto wake\u201d, despertar).<\/p>\n<p><em>Glass Cliff<\/em> \u00e9 usada para se referir \u00e0 situa\u00e7\u00e3o em que uma mulher ou um membro de um grupo minorit\u00e1rio sobe a uma posi\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7a, desafiando circunst\u00e2ncias nas quais o risco de fracassar \u00e9 elevado. Por sua vez, <em>Woke<\/em>, adotada j\u00e1 em 1962 e popularizada recentemente com a hashtag <a href=\"https:\/\/staywoke.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">#StayWoke<\/a> e a campanha #BlackLivesMatter, existe para designar a pessoa que est\u00e1 alerta ao racismo e ao sistema de persegui\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o aos negros.<\/p>\n<p>Palavras dessa natureza ainda s\u00e3o necess\u00e1rias e n\u00e3o deixar\u00e3o de ser enquanto atitudes concretas forem tomadas pelas lideran\u00e7as de companhias e grupos.\u00a0Criar um local de trabalho mais diverso \u00e9 um important\u00edssimo passo para manter os preconceitos sob controle, at\u00e9 reduzi-los a lembran\u00e7as, e fundamental para provocar as pessoas a questionarem suas suposi\u00e7\u00f5es e prejulgamentos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cEnriquecer seu quadro de colaboradores com pessoas de diferentes g\u00eaneros, ra\u00e7as e nacionalidades \u00e9 fundamental para impulsionar o potencial intelectual coletivo da sua empresa\u201d, resumem Heidi Halvorson e David Rock. Ao mesmo tempo, \u00e9 preciso tratar como uma prioridade estrat\u00e9gica da empresa a implementa\u00e7\u00e3o de\u00a0pr\u00e1ticas inclusivas, para que todos sintam que podem ser ouvidos \u2013 e que o sejam de fato.<\/p>\n<p>Para\u00a0l\u00edderes, entender o que \u00e9 lideran\u00e7a e fazer a diversidade funcionar s\u00e3o sin\u00f4nimos.\u00a0Mesmo porque respeitar a diferen\u00e7a simplesmente n\u00e3o \u00e9 mais do que exercer sua cidadania e n\u00e3o violar preceitos \u00e9ticos b\u00e1sicos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Compreender o que \u00e9 lideran\u00e7a envolve principalmente compreender o que lideran\u00e7a n\u00e3o \u00e9. Quer ser um p\u00e9ssimo ou uma p\u00e9ssima l\u00edder? 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